Descoberto o aquífero brasileiro com capacidade teórica para abastecer toda a população mundial por cerca de 250 anos

Uma descoberta surpreendente reacende o debate sobre o futuro da água no país: pesquisadores identificaram um reservatório subterrâneo que pode superar, em volume, o famoso Aquífero Guarani, até então considerado um dos maiores do planeta.

Essa descoberta ganhou destaque justamente pelo seu potencial de transformar o entendimento científico sobre as reservas de água profunda no território brasileiro. O novo reservatório, ainda em fase inicial de estudos, está localizado em uma vasta área da região Norte e Centro-Oeste. Embora seu nome oficial ainda esteja em análise, os pesquisadores já têm indícios sólidos de que se trata de um gigantesco sistema hídrico subterrâneo, com volume superior ao do Aquífero Guarani, que possui mais de 1,2 milhão de km² de área e é conhecido por abastecer diversos países da América do Sul.

Uma descoberta que redefine o mapa hídrico brasileiro

De acordo com os primeiros levantamentos, esse reservatório recém-identificado apresenta profundidade maior e extensão surpreendente. Ele se encontra em camadas geológicas ainda pouco exploradas, o que explica por que levou tanto tempo para ser estudado. Com o avanço das tecnologias de mapeamento e análise geofísica, os cientistas conseguiram finalmente confirmar a presença de um corpo hídrico subterrâneo extremamente robusto.

O SAGA — Sistema Aquífero Grande Amazônia — é um gigantesco conjunto de reservatórios subterrâneos localizado na região amazônica, reconhecido por muitos pesquisadores como um dos maiores sistemas aquíferos do planeta. Ele começou a ganhar destaque científico a partir de 2017, quando estudos mais profundos revelaram que sua extensão e volume podem superar o famoso Aquífero Guarani, considerado durante décadas o maior da América do Sul.

O SAGA se espalha sob diversos estados da Amazônia brasileira e chega a atingir partes de países vizinhos. Ele está dividido em duas grandes unidades: o Aquífero Içá-Solimões e o Aquífero Alter do Chão, cada um com características geológicas e hídricas próprias. Juntos, eles formam um conjunto impressionante de água doce armazenada em profundidades variáveis, indo de dezenas a centenas de metros.

O que essa descoberta significa para o Brasil?

Mais do que uma curiosidade científica, o achado pode se tornar um marco estratégico para o país. Em um cenário global onde a água é cada vez mais vista como recurso valioso — e até geopolítico —, ter acesso a um reservatório tão grande pode representar segurança hídrica para gerações futuras.

Além disso, essa reserva subterrânea pode contribuir para:

  • Pesquisas sobre abastecimento sustentável, sem exploração excessiva das fontes superficiais.
  • Estudos sobre mudanças climáticas, já que os aquíferos são importantes indicadores da dinâmica ambiental profunda.
  • Planejamento urbano e rural, especialmente em regiões que sofrem com períodos prolongados de estiagem.
  • Soluções de segurança hídrica, principalmente frente ao crescimento populacional e industrial.

Vale lembrar que nem toda grande reserva pode ser explorada imediatamente. Muitas vezes, as águas profundas possuem características químicas específicas, como presença de minerais, que precisam ser analisadas cuidadosamente. Além disso, o uso de aquíferos deve sempre seguir rigorosos critérios ambientais, garantindo que sua extração não prejudique o equilíbrio natural.

Preservar antes de explorar

Apesar do entusiasmo gerado pela descoberta, especialistas reforçam que o Brasil precisa priorizar a conservação. A existência de um reservatório monumental não elimina a necessidade de proteger rios, nascentes e bacias hidrográficas superficiais, que continuam sendo as principais fontes de abastecimento direto da população.

A gestão responsável dos aquíferos — antigos ou novos — é essencial para evitar problemas como contaminação, salinização e exploração descontrolada. A ciência já mostrou o quanto é difícil recuperar um reservatório subterrâneo após danos ambientais. Por isso, a palavra-chave continua sendo equilíbrio.

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